quinta-feira, 11 de março de 2010

Fora de casa

Estava puto da cara, se batendo por qualquer coisa que o tirasse daquilo. Não estava entendo nada de porra nenhuma sobre onde estava metido. Caído, mal, interrompido. Pegou aquela seringa e botou tudo o que tinha que desse um barato diferente daquela realidade, daquela merda toda. Jogou fora o cigarro e mandou ver na mistura. Bateu com o indicador e o médio na veia mais gorda do meio de seu braço. Sentiu a picada. O ferrão da fada madrinha rompeu o tecido ainda vivo, então ele pode sentir. Um calor elevou seu coração a um êxtase de criança ao nascer. Seu corpo se ergueu no ar e toda sua musculatura sumia. Felicidade em litros. Prazeres divinos se acumularam e foram disparados contra a alma do infeliz causando um terremoto seguido de tsunami dropado com long board de madeira. Ao sair da vaca o cara ficou burro, mais chapado que o zorro, porém não mais o bastante para não amarrar um lenço à cabeça. Perdeu completamente o raciocínio. Estava fora da casinha. Depois disso, foi dar uma banda, antes que ficasse de cara novamente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Internet I

Primeiramente, gostaria de logo na primeira linha esclarecer que escrevo esse post diretamente de onde eu trabalho. Trabalho? Bom, na maior parte do tempo, não. Mas, mesmo assim, é desse escritório clean que estou digitando. E a razão para esclarecer isso é a de avisá-los de que não esperem nada demais desse post, a não ser algumas palavras ao vento. Pois é do extremo ócio que mando esse post e ele provavelmente não terá nada de criativo, ou uma sacada genial, nenhum videozinho engraçado, muito menos fofinho, como os inúmeros vídeos de gatinhos fofinhos que tem no Youtube. Tem tantos vídeos fofinhos que chega a dar raiva. Conseguiram fazer coisas piores que aquelas mensagens irritantes feitas no power point, do tipo "carpe diem". Como eu odeio aquelas coisas. Ainda mais quando são religiosas e a última e derradeira frase que aparece depois de toda a lenga a lenga é "passe essa mensagem para as pessoas que você ama" e blá blá blá blá, blehhh. Eu vou é proteger qualquer pessoa dessas mensagens, mesmo aquelas que eu não gosto.

Mas tem algumas bobagens interessantes no Youtube, principalmente depois que você descobre
que praticamente tudo que um dia foi televesionado estará lá, no máximo, no dia seguinte. É impressionante, mas sempre tem alguém disposto a gravar as coisas e colocar lá, o mais rápido possível. Me parece uma competição. A primeira coisa que viciei foram as aventuras fantásticas, trágicas e sanguinolentas dos Happy Tree Friends. Litros e litros de sangue em desenho animado pode não ser lá muito educativo, mas dou minhas risadas. É uma coisa patética de simples. Humor macabro, mas ainda assim, é humor. Melhor que essas mensagens desgraçadas de auto ajuda que vêm pelo correio eletrônico.

Ando mais navegando entre pedaços de shows, daqueles dvds que você acha na loja, mas são muito caros. Aliás, os caras estão putos com a disseminação desse material. Estão caçando muitos vídeos. Uma hora você vê um bom show ou uma raridade de imagem, e no outro dia, já foi tirado do ar por direitos autorais. Ultimamente tenho assistido aos shows de rock , (quase nada de coisas novas, a música de hoje tá uma merda, alguns amigos têm me apresentado coisas boas até, mas nada como som velho) e de futebol. De repente todos os gols do mundo estão lá, de todos os jogos que a tv se interessou em passar, e até mesmo as peladas do final de semana, todos eles estão lá. Então com alguns cliques você consegue ver o mesmo jogo, por cinco emissoras diferentes, e analisar os comentários de todos os cantos no mundo. Tenho gasto muito tempo como espectador de futebol - sim, porque jogar que é bom, nada - e isso me irrita. Eu simplesmente me pego vendo todos os vídeos que encontro pela frente sobre meu time do coração, e sobre os próximos adversários dele, e como foram as campanhas dos campeonatos passados, e entrevistas, e comentários e tudo mais que estiver nos vídeos relacionados. E a coisa ficou pior: me flagrei esses dias discutindo e tentando passar uma mensagem de menos ódio aos caras que comentam logo abaixo dos vídeos. Se continuar assim, meu futuro nem o demônio sabe.

Escrevendo esse monte de besteira percebi que posso falar agora sobre uma coisa mais interessante. Eu confesso que levava mais boa fé na internet. Pensava que as pessoas finalmente teriam acesso a cultura e informação independente. Me alegrava ao saber que a gurizada de hoje poderia conhecer todo o rock dos anos sessenta, e tudo o que mudou depois disso, na música e no mundo inteiro. Que conseguissem ler os clássicos e virar as páginas com o toque de um botão. (Embora eu não tenha me habituado muito a ler as coisas na tela, acho um saco e meus olhos ardem muito). E que os filmes imperdíveis não se teria mais como perder, era só escolher e ver.
Doce iliusão otimista. Cadê as bandas com garotos influenciados por toda a música boa que se pode baixar? O que eu tenho visto é que as rádios se especializam cada vez mais em revelar merda. O que dizer dessas bandinhas emocore que tem por ae? É, realmente é de cortar os pulsos, mas não pela música ruim que fazem, o que, sinceramente, já bastaria, só de ouvir os primeiros acordes, mas por ver que o pessoal mais novo tá ouvindo isso antes de sequer ouvir qualquer banda britânica.
Cadê o novo escritor brilhante que engoliu todos os clássicos e os não clássicos em pdf e, quando vomitou, saiu o novo Camus, ou um Dante pós moderno, nem que seja pra inserir o internetêz na literatura atual ( me perdoem por isso).
Cadê o novo? Cadê o inovador? O diferente? O surpreendente? Será que vai ser como sempre e só vamos perceber o que realmente mudou, quando os historiadores estiverem registrando a história que se passa hoje daqui um século?

O pior de tudo é que essas coisas novas existem, e que não aparecem como deveriam. Não estão na tv aberta, aos domingos, nem nos sites de maior acesso. Tem que garimpar. Mas a merda é que se tem uma cultura em que impera uma lei. É a lei do menor esforço.
Simplesmente não há interesse. Continuam vendo novela, filmes ruins, programas de fofoca, e qualquer outra coisa que se passa nessa caixa emburrecedora de pessoas. Gente pequena e de pensamento menor ainda conseguem agora se encontrar e proliferar sua ignorância nessa rede confusa. E enfim, a coisa não tá acontecendo conforme o sonho bom que tive, de que o negócio ia melhorar. Parece que tá ficando pior.
Desculpa por todo esse besteirol, misturado com desabafo. Mas, como eu disse, só palavras ao vento.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Mercenário profissional

Amador: aquele que faz as coisas por amor.

Profissional: aquele que faz as coisas por remuneração

Explique-me, então; "amor à profissão".
Seria amar fazer as coisas por dinheiro?
Amar ganhar dinheiro?
Mas amar não é amar incondicionalmente?
Amar e receber amor?
Não é, então, um amador aquele que ama?

Então não é amor, o amor à profissão.

domingo, 1 de novembro de 2009

Vai e vem

Veio, então, ao mundo.
O infante.
Novo, fresco,
vivo, ardente,
curioso, travesso;
lindo.
Busca tudo,
quer tudo,
quer saber,
ama, estranha.
Grita, berra, reclama.
Explode a revolta
a qualquer "não" dito.

Se foi do mundo ,pois,
pobre velho.
Feio, frio,
calejado, impotente,
cansado, só,
morto.
De tudo o que quis
quase nada teve.
Soube que não sabia
nada realmente.
Amou poucos.
Se acostumou com a dor
e agora já não chora.
Cala. Contém.
Resmunga palavrões ao vento
e ao inevitável fim de tudo diz "sim".

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Loucos são os sãos.

Posso sentir várias coisas ao mesmo tempo, o caminho do nosso coração é coberto de sombras, precisamos ouvir as vozes que nos parecem inúteis. Precisamos encher as orelhas e os olhos de todos nós com sonhos, com coisas de sonhos. Precisamos alimentar o desejo e esticar os cantos da alma como um lençol sem fim.
Se querem que o mundo vá adiante devemos nos dar as mãos. Precisamos mesclar os ditos saudáveis com os ditos doentes.
Vocês sãos! O que significa sua saúde? Os olhos da humanidade miram o abismo no qual estamos todos mergulhando. A liberdade é inútil se você não tem coragem de olhar em nossos olhos, de comer conosco e de beber conosco. São os ditos sãos que levaram o mundo a beira da catástrofe. Homens escutem!
Grandes coisas acabam, só as pequenas permanecem. Basta observar a natureza para se ver que a vida é simples. Precisamos voltar ao ponto onde tomamos o caminho errado. Precisamos voltar ao fundamento da vida sem sujar a água. Que tipo de mundo é este se é um louco que lhes diz que devem envergonhar-se?! Ó mãe! O ar é aquela coisa que se move em torno da cabeça e se torna mais claro quando você ri.

Dito por um Louco.
Trechos retirados de "Nostalgia", filme de Tarkovski, escrita livremente adaptada.

FONTE: http://mocinhabraba.blogspot.com

Obrigado, moça!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

ZZZ

Permaneço durmnindo, sonhando. Estou imóvel, naturalmente, mas as janelas da alma deixam passar sem querer um sonho inventado. Nesse sonho dizem-me para que eu continue nele. Ouço algo como "voltamos após os comerciais", "não perca as atrações...", ou um "Boa noite" respeitoso, pronunciado com som remasterizado por um gentle-men muito bem vestido e com um ar de ser muito confiável.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Oinc!


Continuamos na mesma. Cada vez mais as pessoas tem medo de pessoas. Mais o sensacionalismo da mídia amedronta e enche os ouvidos com informações inúteis que só fazem confundir, para poder explicar, depois do próximo comercial. Mais a ignorância induzida fará os hospitais lucrarem. Quanto mais doenças, maior o mercado. Mais uma vez o povo pagará o pato, pois adivinhem; os medicamentos são de uma empresa privada, patente fechada, como manda a cartilha. Quem pagará o valor são os governos, que são mantidos com o dinheiro de quem não decide nada (sim, nós), a não ser para qual palhaço será destinado um voto, entre um pouco menos de 186.690.583 votos, que, em sua maioria vão atender àquele que conseguir compor a musiquinha eleitoral que mais tempo conseguir retumbar em suas cabeças.
Os momentos ruins por quais passaram a nossa existência na Terra ao menos serviram para refletir, de consolo; para reforçar a idéia de que estávamos fazendo merda mesmo. Pena essa memória não se manter sempre. Enquanto nos lamentamos, eles redescobrem a cura para todo o mal: pague bem.