terça-feira, 22 de janeiro de 2013
o bem e o mal
Capitão América passeia com seu pequeno monstrinho na coleira.. Ele é adorável, o monstrinho. Muito obediente e com muita energia. Bem treinado, ele executa tudo o que lhe ordenam com precisão militar.
"Senta! Rola! Finge de morto! Vivo! Carinha de carente!" Tudo perfeito; sem um "au"...
E o mais mais importante: "PEGA!"
A criatura pula em cima da vítima escolhida pelo Capitão. A pessoa se debate, tenta se livrar em vão, implora por socorro.
De longe, o Capitão acerta um tiro de sua Barrett M107 bem na cabeça do monstro, socorre o pobre coitado e colhe os louros.
"Bom garoto!", ele diz para si mesmo.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Papo de bar
- Se
os poemas vivessem na calçada, seria bem mais fácil...
Ele
disse isso entornando seu quarto caneco de cerveja. As luzes amareladas
deixavam o seu sorriso bizarro. Restos de calabresa luziam daqui e dali... Deixavam-no
até que muito sincero. Não recomendável em determinadas ocasiões. Ficávamos
alguns momentos sem assunto. Mas nas vezes que desenrolava, íamos até altas
horas da madrugada a vociferar teorias sonhadas em delírio, álcool, e
maconha...
- Eles
nos chamam de vagabundos! Maconheiro eu
até aceito, de boa. Mas eu trabalho e estudo sabe? Não é bem assim.
Já não
sabia articular suas ideias como no início da noite, mas estávamos num lance
quase telepático. Entre anedotas sobre a festa anterior e pensamentos idiotas
trocávamos alguma coisa de realmente construtivo, ou não.
- Trabalho
de base! Trabalho de base!... eu repetia soluçando...
- Eu
sei... Tem que ser geral... dizia ele...
- Agora
eu vou dizer uma coisa.... Você está pronto para morrer??
- Ora...
no fundo todo mundo tem medo de morrer... até os chamados "bela
morte" por ae...
- Os
vagabundos que eles chamam... Quem nos chama assim mesmo? São alguns poucos,
não é?
- Não,
eles são muitos, por toda a parte, você olha para o lado e acha alguns. Ainda
mais se for gente da família.
- Muitos
ou poucos suas caixas de som são muito mais efetivas que a nossa voz abafada de
choro... Eles têm aqueles caras engravatados, bem penteados e maquiados, em
excelente resolução, e som surround, alguns até em 3D, live stream, HD, full
não sei o quê e essa porra toda. Cara! Eles têm tudo que se precisa! É só
querer e pronto! Caíram todos em suas lábias sinceras, seus olhares confiantes,
e suas vozes remasterizadas!
E
depois, meu caro, o que acontece depois!?! Lindos e deslumbrantes comercias de
cerveja e suas mulheres gostosas! E depois? Mais lindos e pitorescos comerciais
de carro! Também com suas mulheres lindas... Mas elas têm um diferencial das
geladas! Elas têm certo estilo que só um homem com um carro daqueles conseguem
ter! Afinal, muitos podem comprar cerveja, mas carros, ah... nem tanto... você sabe...
No ar,
tenta catar uma moscam que se aproximava de seu novo copo cheio... Dá uns ou cinco goles profundos e
continua...
- É
assim que eles fazem, meu... Pegam o seu sonho e colocam a favor deles, quando
não dizem o que você deve sonhar... sim, sim... eles têm gente pra isso... Eles
estão fazendo isso como um emprego comum em que pensam estar ganhando o seu pão
honestamente... Você sabe, nessa merda toda estamos todos uns em cima dos
outros e muitos não percebem que sua alegria pode ser o suor do outro...
Está
tudo bem atado, para que ninguém se mexa... e tão bem atado, mas tão atado, que
ninguém percebe que está preso a esse tecido grosso... envelhecido e
fortalecido por nossos sonhos abandonados. Isso é que é um bom nó, não? Como eu
disse... eles têm gente pra isso, pessoas formadas em boas faculdades... Com
grande conhecimento das técnicas, truques e manhas pra fisgar seu cérebro
direto para um freezer lotado de geladas... Nós bebemos, não é mesmo? E não é
pouco... mas é um vício, eu admito, e vícios são ruins.... os vícios do homem,
acho que é isso o que move toda essa merda.... bom, acho que estou
simplificando demais, talvez um pouquinho... Quem sabe? Nós!? Nossos amados
deuses!? Nossos homens engravatados da TV?
Mais
uns goles. Um arroto.
- É
isso! É isso! Todos pensam que os homens da tv têm razão! Todos acham que falam
verdades! Quando são só desculpas para vender o que passam nas tantas mil horas
de comercial...
Novela pra vender antidepressivo...
Fórmula um para vender carros...
Desenhos para vender brinquedos... (pobres
desenhos...)
Mulheres para vender cerveja...
Cerveja e carros para que se pague mais multas...
Mais multas, mais policias na rua, multando mais, em
mais pontos da cidade... Protegendo o produto que a televisão vende e assim vai
indo até foder tudo de vez! De vez! Desta vez, não teremos vez...
O
atendente nos lança um olhar do cão e diz que vai fechar a bodega.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Feliz ano de sempre
Sexta Feira em casa; resumo da Retrospectiva 2012 da Globo:
Protestos atrapalham a salvação do mundo no Rio +20
Reintegrações de posse enfrentam a violência dos invasores
Índios nervosos atrasam obras de hidrelétricas
O furacão Sandy só passou por Nova York
Porra: Fidel ainda não morreu,mas o Papa deu um passeio por Cuba, pelo menos uma coisa boa
Brasil aumenta o nível de consumismo, enquanto Europa se afunda na lama, lero lerô!
Milhares de famílias perdem tudo em enchentes, mas o que importa mesmo é as eleições para presidente nos EUA
E o Corinthians é campeão do Mundo, PORRA!
domingo, 23 de setembro de 2012
espaço de mim
Elas mudaram... os meus eus também... Alguns ainda restaram , como o apaixonado imbecil que insiste em sobreviver , mesmo com toda a quantidade de ácido que joguei em cima dele... ele ainda está lá... chorando todo o tempo... mas seus motivos são bons.... Prefiro ele ao velho rabugento que está comendo meu coração para se alimentar... esse risca fósforos pelas paredes de meu corpo e me sufoca com seus cigarros que deixam imóvel e com sídrome do pânico.
Tem um preguiçoso molenga, que não vê motivo algum em nada; chega a ficar com o corpo dolorido de tanto ficar parado. Um que não sai da frente do espelho, mesmo que odeie o que vê... um bêbado caido num canto, que as vezes dança com as sombras que passam por ali....
Um deles anda em círculos infinitamente, ou faz círculos em volta do infinito, sei lá... teve um deles que um dia saiu voando pela janela, mas nem lembro como ele era... sinto saudades dele.
Tem um preguiçoso molenga, que não vê motivo algum em nada; chega a ficar com o corpo dolorido de tanto ficar parado. Um que não sai da frente do espelho, mesmo que odeie o que vê... um bêbado caido num canto, que as vezes dança com as sombras que passam por ali....
Um deles anda em círculos infinitamente, ou faz círculos em volta do infinito, sei lá... teve um deles que um dia saiu voando pela janela, mas nem lembro como ele era... sinto saudades dele.
sábado, 30 de junho de 2012
Pranto na madrugada
Essa madrugada
chorei por ela
Chorei por ele
Chorei por todos
que se foram sem explicar
Pelos distantes
Pelos próximos
desentendidos, sem saber seu lugar
Pelo último lugar
em que se podia cantar
Pelo nascer do sol sem estrela
e seu descer melancólico
em águas mortas
Pelos bares que fecham
sufocando nosso lamento
Pelas ruas, que são pra carros
e não pra gente, que erra o compasso
Pela onda que leva tudo e deixa esse pranto mudo
Pelos não-lugares de pessoas apressadas
Por esse imenso e impetuoso monsrtro de concreto
que estrutura as mentes preguiçosas
Chorei pela luta vã de não deixar escorrer as lágrimas
Chorei pela arma de fogo que se impõe as palavras, alegria e amor
Chorei choro de rio perene
que sabe que a fonte nunca seca
Chorei por ela
Chorei por ele
Chorei por tudo
chorei por ela
Chorei por ele
Chorei por todos
que se foram sem explicar
Pelos distantes
Pelos próximos
desentendidos, sem saber seu lugar
Pelo último lugar
em que se podia cantar
Pelo nascer do sol sem estrela
e seu descer melancólico
em águas mortas
Pelos bares que fecham
sufocando nosso lamento
Pelas ruas, que são pra carros
e não pra gente, que erra o compasso
Pela onda que leva tudo e deixa esse pranto mudo
Pelos não-lugares de pessoas apressadas
Por esse imenso e impetuoso monsrtro de concreto
que estrutura as mentes preguiçosas
Chorei pela luta vã de não deixar escorrer as lágrimas
Chorei pela arma de fogo que se impõe as palavras, alegria e amor
Chorei choro de rio perene
que sabe que a fonte nunca seca
Chorei por ela
Chorei por ele
Chorei por tudo
quarta-feira, 18 de abril de 2012
sobre quedas
Já não sou o mesmo apaixonado
Pois sendo muito de me apaixonar
Meu cair foi pegando aprumo
Já cai devagarinho,
mergulhando n’água quente
Tive tombo muito feio,
de quebrar a cara e os dente
Segurei no corrimão,
sufocando o “estar contente”
E já me joguei no abismo,
alçando vôo potente
Coração vagabundo
Que salta de mundo em mundo
De honesto é tão profundo
E segundo a lei da queda
cai pesado de seqüela
sabe e sente que fez merda
vê-se tolo o suficiente
já pendurado em corrente
com fotinhos de pingente
e o desejo de ser gente
Gente , de certo mente
O coração; latente
terça-feira, 17 de abril de 2012
oi... como q tá?
...só pra saber sobre algo teu,
pode ser sobre um dia qualquer
um porre ou uma tristeza
sobre teus sonhos, tapetes puxados
acerca do sol, do clima, do poço
qualquer coisa fútil assim, sem ser mais
nem menos que um quilo daquilo que faz
a fuga voraz ou a luta constante
no peito que pulsa luz vibrante
que erra o compasso, mas não perde o traço
está sossegado, ou anda abalado?
está inseguro ou livre do atraso?
qualquer coisa serve, até teu silêncio
...só pra saber sobre algo teu,
pode ser sobre um dia qualquer
um porre ou uma tristeza
sobre teus sonhos, tapetes puxados
acerca do sol, do clima, do poço
qualquer coisa fútil assim, sem ser mais
nem menos que um quilo daquilo que faz
a fuga voraz ou a luta constante
no peito que pulsa luz vibrante
que erra o compasso, mas não perde o traço
está sossegado, ou anda abalado?
está inseguro ou livre do atraso?
qualquer coisa serve, até teu silêncio
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